Fotos ou imagens captadas em preto e branco às vezes nos oferecem a doce ilusão de “verdade documentada”, “preto no branco”... Verdade essa que nos é mostrada do jeito que foi possível, no tanto que nos quiseram mostrar e fazer ver. Além disso, aprendi em meus estudos sobre fotografia, que a “verdade” que vejo em uma foto, depende sempre das experiências de mundo que construímos ao longo da vida, ao longo das imagens vistas e histórias ouvidas.
Vemos aquilo que podemos ver, por sermos quem pudemos ser.
Ver uma imagem é revelá-la sob novas lentes, no exato momento em que é vista, expondo-a a um mundo novo de idéias e significados.
Um observador atento precisa saber que ao olhar uma imagem, é preciso levar em conta as intenções do fotógrafo, do fotografado, da agência, dos recursos da câmera, da técnica de impressão, da mídia, do momento em que ela é vista, da data de captação, etc. Isto muda a experiência de quem vê, mas não nos poupa de sermos influenciados, de influenciarmos a história e conseqüentemente as imagens que nos rodeiam. Somos, portanto criadores que se reinventam toda vez que olhamos nossas criaturas: as imagens.
Todos os dias o processo se renova, imagens nos ajudam a contar nossas histórias, e nós seguimos captando histórias para olhos ávidos por desvendá-las, a seu modo.
Porém vale lembrar: a imagem é revelada pelos olhos de quem vê, em toda cor, em todo tempo, em toda mídia.

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